Guarda flores entre as paginas dos livros achando que quando secarem seus sonhos se realizarão....... desenha flores nas aguas do rio e vê formas nas nuvens que passam..... Não é louca..... apenas não gosta do mundo que vive .Quer sair.....mais sabe que morrera nele.......um dia...... Adriana Martins

Amigos

Para Tiuzam.....


Não sei se saudade tem cor.
Dizem que sim.
O que eu sei é que ela tem forma.
Tem gosto.
E,
acreditem,
ela tem asas!
Se não,
como nos transportaria tantas vezes a lugares tão distantes?
E sei ainda que ela se agiganta
quando mais tentamos diminuí-la.
Sei que ela dói......de dor intensa
e sem remédio.
Se não fosse ela,
não sei se teríamos consciência do tamanho da importância das pessoas pra gente.
Porque quando amamos alguém,
a saudade já chega por antecipação,
sorrateira,
disfarçada de algo que não conseguimos decifrar.
É aquela dor fininha de não sei o quê,
a angústia boba que nos invade só de imaginar a separação.
E a gente fica meio sem saber o que fazer.
Mas é assim... é uma dor que gostamos de sentir,
um sabor que queremos provar,
é algo que não sabemos explicar,
mas é quase palpável.
É amor disfarçado de muita coisa.
São emoções guardadas bem lá no fundo
. Saudade... do que foi e do que vai ser.
Saudade que nos acompanha pra diminuir a solidão
e que nos mostra,
sobretudo, que estamos vivos.
Aprendi ainda que saudade não mata.
É só quase.
A gente pensa que vai morrer,
mas sobrevive sempre,
porque ela traz escondidinha nela uma outra coisa
que chamamos de esperança,
que nos ajuda a caminhar,
porque saudade,
como o amor,
não é cega,
saudade vê mais além".

3 comentários:

  1. Li cinco poemas seus, Adriana.

    Venho comentar este porque me parece ser o melhor deles. Além disso, encontrei o espaço de comentários deserto, o que me dá um sensação (ainda que falsa) de provacidade, e me estimula a dizer coisas mais objetivas, "na lata", beirando talvez a transparência, virtuoso "defeito" que você mesma destaca em si, num dos outros poemas que li aqui.

    Apesar da distribuição em versos, vejo aqui mais prosa poética que propriamente um poema. Há um ritmo, intenso, que transcende a versificação. Como nos "poemas" atribuídos à Clarice Lispector, que nunca escreveu em versos, mas alguém (ou alguéns) resolveu repartir seus textos em versos e a blogosfera, por implacável disseminação, está transformando a grande escritora em poeta.

    A comparação com Clarice não se deve a mero acaso comparativo da forma. Você tem, nitidamente, uma perspectiva clariceana, esse jeito de olhar o mundo com intimidade e estranheza a um só tempo. Isso é bom? Não sei. Pode ser, se a sua busca for intensa e crescente; se escrever for, mais do que um prazer, uma necessidade imperiosa.

    Sinto que este texto tem, misturado ao cascalho de um certo excesso de palavras, um pequeno diamante, que faísca aqui e ali: "Não sei se saudade tem cor.(...) sei é que ela tem forma.
    Tem gosto. E, acreditem, (...) tem asas!" ---, "Saudade (...) do que vai ser" --- "saudade não mata. É só quase" --- "saudade vê mais além".

    É por aí. Espero não ter sido incoveniente, rude. Se fui, deixo como consolo a informação de que já visitei centenas de blogs de poesia e, na esmagadora maioria deles, eu não poderia recolher tanto faiscar de diamante nem que me dispusesse a garimpar por todas as postagens.

    Um abraço

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  2. Hieno keronnallinen kuvin täydennetty blogi. Pidän kvasti!

    Teuvo Finland

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